Entrada Dornelas
Dornelas do Zêzere Versão para impressão Enviar por E-mail
Dornelas (1)
Dornelas (1)
Dornelas (2)
Dornelas
*

PASSADO RECENTE


    Nos anos trinta a "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira" informava que Dornelas do   Zêzere era uma freguesia situada no extremo este do concelho da Pampilhosa da Serra, pertencente à comarca de Arganil, e ao distrito, diocese e relação de Coimbra.

 

    Tinha por orago Nossa Senhora das Neves, uma área de 1.640 hectares e a população, de acordo com o censo  de 1930, era de 908 habitantes, vivendo estes em 236 fogos. Tinha serviço de correio, escola primária e lagar de azeite. Havia pertencido ao concelho de Fajão, o qual fora extinto a 24-X-1855. Compreendia ainda os lugares de Adurão, Carregal, Machial, Pisão, Portas do Souto   e Vale do Carregal; o Alqueidão pertencia também à sua paróquia, mas civilmente era parte integrante da freguesia da Barroca.            

     Esta descrição que, em meados da década de trinta, estava correcta, encontra-se hoje bastante modificada. O total da sua população subiu até 1960 (com 1304 habitantes) mas diminuiu desde então, indicando o censo de 1991, 780 habitantes e o de 2001, apenas 677; isto sucedeu devido aos movimentos migratórios ocorridos nas últimas décadas, nomeadamente para o litoral e estrangeiro (França e Suíça); por seu lado o número de fogos aumentou graças aos emigrantes que entretanto voltaram.


ACTUALIDADE

*

             A freguesia alberga actualmente vários edifícios de assistência social -um Centro de Dia, um Lar de terceira idade e um Jardim Infantil - assim como uma airosa ermida e uma piscina fluvial. De entre os edifícios da aldeia a igreja matriz sobressai, pela sua antiguidade, harmonia arquitectónica e riqueza artística. Não se sabe quando foi construída, mas deve datar de há mais de três séculos, naturalmente na sucessão de outra, muito anterior, da qual não restam vestígios, de certo por ter sido situada no mesmo local. Destaca-se nela a capela-mor, com belos caixotões dourados e pintados no tecto abobadado e a talha artística a enquadrar o altar, sacrário e trono, que lhes fica por detrás. Aquela  talha, bastante bem conservada, é das mais belas em igrejas da Beira Baixa. Possui imagens, em pedra e madeira, de grande valor, algumas provavelmente mais antigas que a actual igreja. Entre os valiosos objectos de culto e alfaias, distingue-se um cálice velho de séculos e uma custódia de prata com inscrição latina do doador, o cónego António Alvares, datada de 1649, além de um belo tapete de Arraiolos, bastante danificado mas susceptível de restauro. Na chamada Capela das Almas, no topo do braço esquerdo da cruz que o templo configura, há também talha, caixotões e imagens de muito valor. Em vez de torre, possui um largo campanário em pedra de cantaria, datado de 1767, segundo uma inscrição numa pedra lavrada em forma de concha e colocada no centro daquele, entre os dois sinos, em plano mais alto. Dornelas possui também uma capela dedicada a S. Miguel, na qual se encontra um retábulo pintado, de grandes proporções, por detrás do altar, com uma data do século XVII.

            Um moderno edifício da Junta e  um elegante miradouro sobranceiro ao Zêzere (a poente), e uma ponte sobre o rio (a nascente),  servem de moldura à povoação. Esta localidade possui também quatro cafés (um dos quais com discoteca), um campo de futebol e outro de tiro e ainda uma praia fluvial.

    No aspecto geográfico, há a referir algumas alterações desde a década de trinta. O rio, depois de, durante muitos anos, ter estado inquinado, devido aos resíduos tóxicos provenientes das minas da Panasqueira, começou a recuperar. Já é possível encontrar nele, de novo, rãs, assim como várias espécies de peixes, nomeadamente bogas, barbos e enguias. Por seu lado, as montanhas circundantes permanecem muito verdejantes, apesar dos incêndios que periodicamente ocorrem e já consumiram grande parte da floresta da região ... Mas é agradável notar que nesta existe ainda uma bastante extensa mancha verde e que, no verão, a aldeia de Dornelas do Zêzere, refrescada pelo rio, que fertiliza as propriedades marginais e embalada pelos trinados e gorjeios dos melros, rouxinóis, pardais, carriças e andorinhas, constitui um local calmo e relaxante para quantos, provenientes dos meios urbanos, pretendem escapar por uns dias ao stress citadino!...